quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Na tal data
nos encontramos

Na tal ocasião
ficamos juntos

Fim de ano
lembro
e desejo

desenlaço
surpresas

desembrulho
tristezas

dezembro
esperanças

Jesus
é menino
como a vida
que habita em mim

Nesta data
na tal data
Seja feliz

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Definição: an.gús.tia - sf (lat angustia)

Angústia,

sensação que se esconde lá dentro.

Camuflada, não revela aos outros

sua verdadeira intensidade.


Para que fosse notada,

reconhecida, percebida pelos demais,

e com força semelhante à dor real,

precisaria nascer de uma cena grotesca:


A mão rompe peito adentro,

atropela as costelas, rasga o coração,

alcança as vísceras e as esmaga entre os dedos,

um líquido viscoso explode e escorre pelo braço.


Por dentro, no eco da caixa toráxica

uma tocha acesa, incandescente.

Pelas vias aéreas, um veneno gasoso na respiração,

que queima a cada suspiro.


No estômago, insere-se um bloco de chumbo

denso, pesado, grande o suficiente,

para permitir um trânsito mínimo

do bolo alimentar.


Ah, é claro,

tudo isso com a pessoa bem viva,

acordada, lúcida e consciente.

Pois angústia só se sente

quando não se sabe a hora de acabar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Corolário


Qualquer coisa que tenha pretensão literária deve, necessariamente, ter 141 caracteres ou mais.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nada a dizer

Só pra registrar,

só pra relatar,

gostaria de acrescentar...


Escrever é força.

Gravar o pensamento.

Lavrar em pedra a sensação.


Hm, tenho a impressão...

Quero dizer, preciso falar,

tenho que me expressar!


Chegou a hora das palavras,

tenho muito a imaginar,

a contar, a declarar.


Escrever.

Pura explosão, puro poder.

Faz existir,
.
mesmo quando não se tem nada a dizer.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Denúncia


Ele é conhecido no Brasil inteiro. Preferência nacional.

Cultuado nos quatro cantos do país.

No entanto, foi assassinado!!!

E eu sei quem foi!!!
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Guaraná.

De preferência, Antárctica. (Claro, é o mais gostoso).

Mataram o bom e velho guaraná. E eu conheço o criminoso.

Quer saber quem foi? O refrigerante diet.

Acompanhe minha linha de raciocínio:

15 anos atrás, pedir um guaraná no restaurante era muito fácil.

-Traz um guaraná?
- Sim senhor!

E fim de papo.


Hoje é assim:

-Traz um guaraná?
- Normal ou diet?
- Normal!


Hoje em dia, todo guaraná tem que ser pedido com explicação.

O guaraná sem complemento, por consagração do uso, por antiguidade e tradição, deveria ser compreendido como "normal". Quero guaraná e pronto! Não quero explicar!

Mas não é assim que funciona. Todo garçom pergunta qual eu quero: normal ou diet??

Caceta, se eu quisesse o diet teria dito logo de cara!

Às vezes, eu mesmo me pego pedindo guaraná normal!
- Quero guaraná normal, tá?

Sem perceber, traio meus ideias e minhas convicções.

É uma manobra sórdida dos refrigerantes dietéticos.

Sabe aquele ameaçador dito popular: "Vou cair mas vou levar você junto?"

Pois é. As cocas e guaranás diet chegaram e transformaram nossos pobres guaranás. Como toda bebida dietética tem que ser pedida com explicação, fizeram com que os normais também tivessem que ter esse sobrenome: "Normais".

Só porque têm gosto de remédio purgante ficam envenenando a vida dos deliciosos irmãos.

Fico pensando:
Normal.
Qual seria o oposto disso?

Guaraná anormal? Será que o Kuat ou Schin podem ser considerados anormais? (Acho que sim).

Vivemos a época da segmentação.

Todos os produtos estão disponíveis para o consumo dos mais diferentes perfis de gente.

Tem normal, diet, de laranja, de chocolate, de jiló.

TV a cabo tem canal de sitcom, de documentário, de filme, de esporte, de criança, de animalzinho.

Para fazer gosto a todo mundo, há várias opções de tudo.

E quanto mais segmentação, menos autenticidade, menos genuinidade, mais explicação.

O vovô guaraná, o Antarticão de garrafa de vidro e tampinha de ferro, deve dizer para seus netinhos-pet:

-Meus pequenos, quando vovô era garotão, todo mundo me conhecia! Eu era o dono do pedaço! Onde já se viu a quantidade de nomes que essa geração usa!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Perder

Saber perder.

O ser humano valoriza tanto.

Deve ser

porque é ato sobre-humano,

gesto inalcançável,

distante das nossas ambições.


Pois veja,

quantas certezas temos na vida?

Só uma. Apenas uma.

A de que vamos perdê-la.

Tudo muda. Mas perder, não.

Perder é ponto sem discussão. Sem negociação.


Dramático,

trágico destino do homem.

E como dele não se foge,

como admitir

tantas pequenas perdas vida afora?

Não basta uma, a maior de todas?


Não adianta,

não sabemos, não aceitamos,

dói demais, esse negócio de perder.

.
Perde-se o útero,

casa,

perde-se a infância,

mágica,

perde-se a juventude,

explosão.


Perdem-se os queridos,

ferida,

perde-se a saúde,

derrocada,

perdem-se os amores,

vácuo.


Perder.

Palavra sem sinônimo.

Absoluta.

Basta uma no vocabulário.

Para que ninguém corra o risco de perder

mais do que pode aguentar.


Perdas.

Às vezes nos tiram, nos tomam à força,

às vezes somos nós que as provocamos.


Não adianta,

não cai a ficha,

não admito, não engulo,

que ao me darem a vida,

presente divino,

me impuseram também uma única e cruel direção.


Tolice pensar,

que viver é ganhar.

Ganhar vida, chances, felicidade,

experiência, amores, oportunidade.

Morrer é perder.

Viver também é.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Feto

Abrem-se os olhos,
pum,
vivo!

Ar nas narinas,
pulmão funcionando,
tudo muito estranho,
neste corpinho de gente.
.
Bem, tenho uma novidade,
e não é boa:
viver não é nada fácil.

Sem convite,
sem querer,
sem entender,
caímos no mundo.
.
É hora de, simplesmente, caminhar.

Tente, tente porque é o destino humano.
Tentar entender, compreender.
Os porquês, os pra quês de tudo.
.
Tente, tente controlar o sentimento,
o tormento,
é do jogo.

Pois só se aprende,
que não se controla,
que não se entende,
tentando.

E vivendo.
E caminhando.
.
Respira
e sofre
respira
e vive
respira
e dói.
.
Sorria.
Sim, sorria,
mas saiba,
que felicidade
pura, em estado bruto,
não é algo próximo ao ser humano não.

Bifurcação.
Às vezes toma-se um caminho
sem nem saber por quê.
.
É do jogo, é da vida.
É ferida.
.
Como era antes,
dos olhinhos abertos,
do nariz respirando?

Não sabemos, não entendemos,
só conhecemos esta, que fere, corta, rasga, machuca.

Viver
é não saber.
Vai entender!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Celular e fones de ouvido

Estão na moda esses fones de ouvido acoplados ao telefone celular né?

Com eles, o cara pode falar ao celular até dirigindo. Já viram?

Outro dia, um amigo teve uma tirada muito boa.

Já era a terceira ou quarta vez que eu passava por ele e o via falando ao telefone com aquele aparelhinho. Aproveitei para provocá-lo:

- Cara, toda vez que passo por você e você está no celular com esses fones de ouvido, tenho a nítida impressão de que você está falando sozinho! É muito estranho.

- Deixa eu te contar uma coisa: na verdade, eu estou falando sozinho. Coloco os fones de ouvido só para disfarçar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Contra o tempo

Corro contra o tempo!

Ainda tenho dezesseis minutos.

Mas a cada linha que escrevo, terei menos.

Cada letra a mais, um segundo a menos rumo a dezembro.

E pra que essa pressa toda?

Porque quero escrever este post no mês em que o blog completou um ano.

1 ano.

O dia exato foi 25, quarta-feira passada.

Não escrevi nada por esse ou por aquele motivo.

Mas sinto, nas regras fictícias do meu pensamento, que escrever em novembro seria, ainda, uma forma de celebrar este um ano em tempo!

Neste momento, gostaria apenas de dividir com vocês essa satisfação e essa alegria.

Neste um ano, vários textos que postei aqui nunca teriam existido não fosse o simples ato de escrevê-los.

Óbvio isso, não? Muito óbvio.

Mas é uma afirmação de força gigantesca.

Fico imaginando: que frustração a minha seria ter tido tantas idéias, algumas toscas outras bacanas, e nunca ter podido torná-las concretas.

Idéias que me viriam à mente e sumiriam no instante seguinte.

Aqui, no blog, tive a oportunidade de capturar algumas delas, na rede de caçar borboletas esvoaçantes, e transformá-las em texto.

Um ano depois, é bacana olhar pra trás e ver, catalogados, tantos posts sobre diferentes temas.

Posts, textos, assuntos que puderam ser divididos com vocês. E isso é o mais gratificante.

Temas bobos ou complexos, textos aos quais me entreguei totalmente... e outros deles fiz por pura diversão. Tudo muito pessoal, tudo feito pela pura curtição de escrever.

E saber, que apesar do motivo quase lúdico e sem ambição da existência deste blog, muitos de vocês tiveram o carinho e o interesse de deixar comentários, observações, sugestões e críticas.

Enfim, tiveram o ímpeto de participar, interagir, conversar.

E isso é o mais bacana de tudo.

Por isso, após um ano, doze meses, trezentos e sessenta e cinco dias, só tenho a dizer um sincero "muito obrigado"!

Corro contra o tempo! Ainda tenho seis minutos antes de bater meia-noite.

Será dezembro. Será tarde demais.

Agradeço à Maria Clara, meu amor, que me visita e me apóia desde o dia 1. Agradeço a meu pai, minha mãe, meus irmãos, minha família, minha Tieta Helena, felipinho, Cristiano Hirmão, Valmir, Marquinhos, Marina W, Chico, Zé Luis, Rachel, Touro, Daniel Dandani e todos os queridos, quadradinhos e cabecinhas aí embaixo, que são seguidores do blog.

Cometerei uma injustiça ao não citar nominalmente, um por um, cada pessoa que já comentou e visitou o blog.

Mas faço isso por um bom motivo.

Faço porque corro contra o tempo.

Faltam dois minutos apenas.

Dois minutos para a meia-noite.

Quero postar ainda em novembro.

Corro contra o tempo!

Mas, por causa do blog e por causa de vocês, corro a favor dele também.

Ano que vem, terei tantos mais posts e conversas para lembrar!

Tudo arquivado.

No tempo.

Que está a meu lado.

Obrigado!

Beijo a todos!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Plano de vôo

Amigos,

nos últimos meses, empaquei.

Por uma coisa ou por outra, está difícil criar, escrever, pensar, imaginar, refletir, mergulhar.

As letrinhas nos teclados andam enferrujadas, insensíveis ao toque dos dedos.

Não deslancham, não desabrocham, não despertam.

Blogspot, pista de decolagem. Tem sido difícil sair voando, fazer manobras, dançar no ar.

O avião anda sem combustível. Ou o céu está carregado mesmo, impróprio para vôos.

Aos poucos amigos que insistem e dão sempre um pulinho aqui, agradeço.

Aguardo previsões meteorológicas otimistas, ou soluções de mecânica para aeronaves.

Enquanto isso não acontece, continuo em terra firme.

Bem menos emocionante. Mas mais seguro.

Beijos a todos.