quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os três azares do morcego

Alguém teve uma caridosa idéia:

Colocar, no alto de uma árvore, uma garrafa plástica cortada ao meio com pedacinhos de banana descascada.

Quando parei o carro, à noite, na porta do meu prédio, percebi um morcego dando vôos rasantes sobre os galhos.

Meu primeiro pensamento foi: -Como vou sair deste carro sem ser atropelado pela criatura?

A fórmula não é complicada, mas requer coragem.

Abra a porta, dê o fora rápido, bata a porta, saia correndo e não olhe pra trás.

É uma pena.

Os morcegos podem ser as criaturas mais dóceis do planeta Terra, mas nunca terão a oportunidade de mostrar suas virtudes para o mundo.

Fosse um cachorrinho ou um filhotinho de gato buscando comida, todos iriam parar para admirar a meiguice do animal.

Mas a fome do mamífero voador, essa não.

Esta é recebida com repulsa pelas pessoas.

Não é à toa que estes seres quirópteros decidiram, no seu processo evolutivo, só sairem da toca à noite.

Com tanto preconceito, restou-lhes adotar uma forma de vida bem afastada do convívio social.

Na verdade, o animal não é dotado de muita sorte. Pelo contrário.

Pesa sobre si a capa da maldição. São três, e não mais que três, os azares do morcego:

1- A aparência repugnante.

Tiveram a infelicidade de nascer parecidos com monstrinhos. Muitos os associam a ratos voadores. Que culpa têm as criaturinhas de possuir asas que nascem de longos dedos e braços raquíticos? Em vez de penas, uma membrana. É esquisito realmente. Os designers dos pássaros capricharam mais no acabamento. Mas fisionomia não deve ser motivo para discriminação.

2- São cegos.

Seus parceiros de vôo, as águias, além de lindas, têm a capacidade de enxergar uma moeda de 1 real a 1 km de altura. Já o feioso não vê um palmo à frente do nariz em formato de tomada. Quanta injustiça! Dessa forma, os vôos do morcego são muito mais descontrolados e ameaçadores. Guiados pela essência da banana sobre a árvore, fecham os olhos e mergulham no ar rumo ao rastro de cheiro. Melhor sair da frente.


3- Comparações bizarras.

Não bastasse possuir deficiência visual e ter um semblante horripilante, o morcego foi, historicamente, comparado a seres malvados e sinistros. Se Conde Drácula e seus vampirinhos se transformassem em gansos, certamente a rejeição dos mamíferos voadores não seria tão grande. No entanto, vemos a criatura como chupadora de sangue, no melhor estilo Nosferatu. Que erro de avaliação! E pensar que a maioria absoluta dos morcegos prefere as frutinhas da estação ao líquido vermelho-ferro.

Talvez o Batman tenha sido o único cabo eleitoral fiel a tentar lhe levantar o moral.

Vamos torcer que o fenômeno Crepúsculo abra novos horizontes na rasa mente humana.

Feio. Cego. Motivo de chacota.

O mundo, definitivamente, precisa de mais tolerância.

A começar por nós.

Da próxima vez, não sairei correndo do carro.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pseudo-poema

Um professor dizia

todo poema é sobre sentimento.


A única outra possibilidade,

caso seja seco e sem vida,

poesia careta e combalida,

deve ter métrica, ritmo ou rima.


Se não tiver um

ou o outro

não é poema.


Pois eu não faço poema,

Se faço, é pra contrariar.

Faço-o vazio, sem alma.


O que sinto?
.
Eu sei.
.
Vocês não.


Poesia de araque,

que esconde, oculta.


Versos inúteis,

nem métrica tem.

Rima? De vez em quando.

Feita à Bangu.


Estrofes desnutridas,

idéias caídas,

palavras a esmo,

mal-escolhidas.


Professor,

você estava errado.

Eis um pseudo-poema

sem seus pré-requisitos.


É, professor.

Acho que você estava certo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não


Um tiro de calibre trinta e oito.

Seco. Objetivo.

Estampido alto e breve.

- Não!

Um 'não' é forte, preciso e decidido.

Parece não deixar margem para dúvidas.

Três letrinhas escolhidas a dedo.

Um comprimido tarja preta, compacto, de pura negação.

Pense um pouco.

A palavra 'negativo' tem o mesmo significado.

- Vai ao jogo?
- Negativo.
.
Mas dizer 'negativo' é muito mais suave do que dizer 'não'.

No negativo, os ingredientes da recusa estão uniformemente diluídos nas letras.

Uma consoante, uma vogal, uma consoante, uma vogal... equilíbrio total.

É como tomar novalgina misturada na água.
Só se sente o sabor amargo bem de leve.

O não é diferente.

É um sossega leão de efeito imediato.

Se não for engolido com água, pode ser injetado na veia ou até invadir feito supositório.

Êne, a, ó, til.

O 'til' faz toda a diferença. Talvez seja a substância mais forte, o princípio ativo mais poderoso do medicamento.

O til se pronuncia com voz anasalada.

Nenhum som passa pela caixa sonora do nariz discretamente.

Pra se dizer 'não', tem que fazer força.

-Não!

A letra 'n' e o til vibram no aparelho vocálico.

Faz tremer o corpo, faz mexer as moléculas de som, explode no tímpano do ouvinte.

É como sentir no peito o eco de uma caverna após um grito.

Assusta os morcegos e desperta as feras adormecidas.

-Não!

Pois veja o 'sim'.

Muito mais amigável, mais agradável.

O 'sim' desliza boca afora. É uma palavra escorregadia.

O 'S' se encarrega disso. Por isso é tão fácil dizê-lo.

Já o 'não' não. Só se diz com uma boa razão.
---

Epílogo

A espécie humana, cada geração a seu tempo, se julga capaz de estabelecer a verdade sobre todas as coisas.

Mas é também da condição humana viver, evoluir, para descobrir que todas as verdades de 100 anos atrás eram, na verdade, uma grande mentira.

O 'não', tão temido e malvado apresentado no texto acima, nada mais é do que uma grande falácia.

Ele não é tão decidido e obtuso quanto parece.

Se aparentemente ele não deixa incertezas, conhecendo-o um pouco mais descobre-se que é um poço de contradição.

Veja o exemplo.

Se pergunto:

- Quer ir ao cinema hoje?
- Sim.

(Não dúvidas quanto à resposta. A pessoa aceitou o convite)

Mas se pergunto:

- Você não quer ir ao cinema hoje?
- Não.

E aí? A resposta 'não' é para dizer sim ou não?
É para concordar com a pergunta e dizer "eu não quero ir ao cinema"?

Ou é pra negar a pergunta e responder, na verdade "Não! Eu quero sim!"
Na verdade, o 'não' é um grande escravo da vírgula.

Por causa dela, as duas respostas seriam totalmente diferentes.
- Não quero!
- Não, quero!

Quem diria.
O não, afinal de contas, não é tão durão assim...

Ou não?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Os Substitutos

Na falta de algo bom pra contar ou comentar, vou falar de um filme que eu vi.

Os Substitutos, com Bruce Willis.

Sabe aquele jogo Second Life? Você cria um bonequinho, escolhe a idade, a aparência e as características dele e sai jogando, interagindo com outros bonequinhos mundo afora, controlados por outros internautas?

O filme fala exatamente desse jogo...

mas passado na "vida real".

Imagina só.

Uma época, (nada distante da atual), em que "internautas" possuem personal-andróides.

O cara fica em casa, em frente a um computador, e dá os comandos a um ciborg que vive a vida de um cidadão comum.

O usuário pode ser um gordinho barbudo de 30 anos, mas seu andróide pessoal pode ser uma jovem bonita de 18 anos, curtindo todas na noitada.

Uma ficção científica (assustadoramente familiar aos cidadãos do século XXI), em que marido e mulher não interagem mais no téte-à-téte, mas apenas pelos seus robôs.

História superverossímel.

Um Bruce Willis de cavanhaque (já abatido pela calvície e castigado pelas rugas) controla, da sua poltrona, um ciborg feito à sua imagem e semelhança... com a pele mais lisinha e um vasto cabelo loiro bem cafona, daqueles que exageram no visual porque têm dificuldae de lidar com a idade já avançada.

Ele é um policial que, subitamente, se vê envolvido na história principal do filme (não vou contar).

O interessante é a forma como os tais bonecos, na trama, são vendidos aos consumidores.

Além dos benefícios de poder adotar a estética que bem quiser, os robôs reduzem drasticamente as taxas de acidentes, roubos e assassinatos. Claro, caso o seu andróide seja atropelado, você estará são e salvo em casa. Basta comprar um novo e colocá-lo nas ruas novamente.

E nem adianta dizer "Ah, mas ninguém toparia isso na vida real! Quem aceitaria viver a vida através de um robô?"

Os internautas dos dias de hoje são a melhor resposta.

Muitos preferem existir no Second life a viver a vida de carne e osso.

Para muitos, a vida real é mais sofrida que a idealizada, virtual. É ou não é?

E ainda tem aqueles twitteiros frenéticos. Quem não tem um amigo próximo que não consegue mais viver em sociedade?

Basta sentar numa mesa de bar, ou na praia, ou em qualquer canto, que abrem mão da companhia e da conversa dos camaradas para ficar mandando frases para o Twitter, do tipo:

"Estou reunido com amigos no barzinho. Faz muito tempo que não os vejo, estou curtindo muito!"

Está mesmo? Esses viciados nas mensagens curtinhas parecem não se interessar em mais nada a não ser essa idiota e vazia sensação de se comunicar com todo mundo e com ninguém ao mesmo tempo.

Os Substitutos.

Um filminho bacana. Vale a pena ver.

Ver e pensar.

Pensar em como, sem perceber, deixamos nossas vidas serem drenadas pela experiências tecnológicas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fora do ar


Desculpem o transtorno.


A programação do Blog 'De vez em quando' continua fora do ar.


Dentro de alguns instantes, vamos restabelecer o sinal.


Obrigado pela paciência.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Inspiração

Resseca

a pele, o nariz, a folha de outono.


A inspiração,

às vezes,

também resseca.


A inspiração

fica com aquele aspecto sem cor, farelento,

como se, de lá, nunca tivesse saído nada.


Como se aquela inspiração,

útero, mãe das idéias mais loucas,

nunca tivesse gerado vida.


A inspiração,

árida,

não presta.


Inspiração,

literalmente,

significa ingerir ar.

Só.

É pobre.

Busco a velha inspiração,

cheia de sentido e explosão,

cheia de luz e movimento.


Inspiração revigorada,

quente e pulsante.

.
Por ora, nada brota.

Por ora.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Óbvio ululante

- Me explica esse mapa de Paraty?
- Ah, claro, senhor. Olha. Aqui é a ponte que leva ao Centro Histórico.
- Ponte? Só pra pedestres?
- Isso.
- Ahm. E onde fica o restaurante Margarida Café?
- Ah, senhor, ele fica aqui onde está a letra G no mapa.
- Letra G né?
- Isso.
- Ahm bem. Tem outro lugar que eu queria ir. Me falaram de um restaurante chamado Merlin o Mago...
- Olha, o Merlin fica aqui mais pra direita, aqui onde está a letra H.
- Aqui né?
- Isso.
- Então se eu pegar a ponte e andar reto, chego lá sem problemas né?
- Isso.
- Posso ir a pé? É pertinho?
- Isso, senhor. A pé dá uns 5 minutos. Mas se o senhor quiser, a pousada pode chamar um táxi ao custo de R$15,00.

((Atenção: Clímax da conversa se aproxima))

- Nossa! Aqui diz que Paraty tem aeroporto! Paraty tem aeroporto?
- Bem, é...
- Sério? Eu não sabia? É aeroporto mesmo, pra valer?
- Não, na verdade é mais pra pousos... e decolagens.
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Emergência!!!! O dia em que descobrirem um aeroporto para outros fins, pelamordedeus, me avisem!!!!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Verídica #3

Eu estava atrasado para uma festa de formatura.

Eu morava no alto de uma ladeira de paralelepípedos.

Estava começando a chover.

Eu estava com pressa.

Todos esses fatores combinados resultaram numa das histórias mais incríveis da minha vida.
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Peguei o carro e saí da garagem.

A roupa amarrotada de quem se vestiu rápido demais. O paletó no banco do carona.

Fiz a primeira curva e avistei um carro subindo na direção contrária.

Estava longe, mas não o bastante.

Tentei frear, mas a chuva fina fez o carro deslizar.

Não pude evitar a pancada.

O motorista saiu do carro dele, com toda razão, muito p... da vida.

- O que você fez??
- Desculpa, a culpa é toda minha.
- Não acredito. Não acredito!
- Desculpa mesmo! Eu tentei frear mas não consegui.
- Você assustou meu filho. Olha só. Ele é pequeno. Tá chorando!
- Amigo, me desculpa mesmo. Não tenho o que dizer.
.
Estava visivelmente irritado, falando duro comigo. Mas não me destratou em nenhum momento. A mulher dele saiu do carro com o filho no colo.

- Amor, vai indo lá vai. Vai a pé mesmo, sobe a rua só um pouquinho. Vou ficar aqui resolvendo isso.
- Amigo, me desculpa mesmo. Eu tava indo para uma formatura, o piso está escorregadio. Eu não percebi. Foi mal mesmo.
- É. Vamos ter que chamar a polícia para fazer um boletim de ocorrência.
- Sem problema. Pode ligar. Eu assumo toda a responsabilidade.

Alguns minutos passaram. O cara ligou pra polícia, relatou o acidente, pediu que eles subissem a rua. Ficou alguns instantes em silêncio, olhando para o amassado no próprio carro.

- Você tem seguro?
- Tenho sim. Vou assumir todos os custos. Deixa comigo.
- Você tem carteira de motorista, menino?
- Tenho, claro.
- Tem mesmo?
- Tenho.
- Deixa eu ver.

Ele olhou o documento por alguns segundos. Percebi que ficou um pouco nervoso.

- Esse seu sobrenome aqui. Você conhece alguém com esse sobrenome?
- É claro, é meu sobrenome. Minha família toda tem esse nome.
- Você conhece algum Beto?
- Beto? Claro. É meu pai.
- Glup.

De toda a frota de milhões de carros do Rio de Janeiro, de todas as ruas possíveis, de todas as horas possíveis, Deus quis que eu batesse o carro justamente no subordinado do meu pai.

- O seu pai... ele... ele é meu chefe!
- Não acredito! Que coincidência!
- Acabamos de chegar de viagem juntos. Viajamos a trabalho... Ele chegou há poucos dias de Los Angeles não é?
- É, isso mesmo!
- Não é possível. Ah, se eu soubesse, a gente nem tinha chamado a polícia. Tinha resolvido tudo aqui mesmo.
- Não, não se preocupa. Vamos seguir os procedimentos da seguradora como faríamos desde o início. Fica tranquilo.
- Olha, desculpa qualquer coisa. Eu fiquei muito nervoso! O meu filho estava no carro.
- Claro, claro. Eu que peço desculpa. A culpa foi toda minha. Pede desculpa pra sua mulher por mim, por favor.

Ele se afastou um pouco e pegou o telefone celular.
.
- Alô, amor? Sabe o menino que bateu na gente? Pois é... filho do Beto.

Só Deus sabe que palavrão a esposa dele usou do outro lado.

Verídica #2

Um jogo de baseball pode demorar muitas horas.

4, até 5.

Não há limite de tempo.

Basta terminar empatado que os times jogam até haver um vencedor.

O ritmo é bem lento. O jogo pára toda hora, troca-se os jogadores.

A bola passa mais tempo parada do que em jogo.

Ainda assim, há fãs no mundo inteiro.

Eu mesmo gosto do esporte.

Mas admito que a maioria acha um tédio.

Chato. Nada acontece. Demora muito para engrenar.

Às vezes, é enfadonho até o fim.

Como este post. Chato e paradão.

Até que uma moça resolve mandar um email para o canal de televisão...
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- Amor, vem dormir!
- Ah, mas eu tô vendo baseball.
- Ainda?
- É.
- Mas são quase duas da manhã!
- Mas é assim mesmo, Cynthia!
- Caramba, como demora.

O marido na sala. A mulher no quarto.

Ele não desgrudava da TV.

Ela resolveu ligar o computador. Navegar na internet.

Teve uma grande idéia.

Mas era pra ser apenas um desabafo.

Não contava com o que ia acontecer...
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- Bom, já vamos chegando ao fim do jogo, mas a partida continua empatada!

- É verdade, mas agora vai entrar o número 23 do New York Yankees. Ele rebate muito forte e pode decidir a parada.

- É isso aí! São as emoções do baseball, e você só vê aqui, no canal de esportes por assinatura! Obrigado ao telespectador que nos acompanha até essa hora.

- Teo, chegou um email aqui na redação muito curioso. Olha só: A Cynthia, do Rio de Janeiro, faz uma pergunta inusitada: - Que horas vai acabar esse baseball pra vocês liberarem meu marido???

- Hahahahah! É Cynthia, obrigado pelo email. A essa hora, minha mulher já está dormindo em casa...

O marido Fernando não acreditou.

Ficou estático.
.
Se Cynthia queria chamar a atenção dele durante o jogo, conseguiu.

Verídica #1

O camarada chega de noite.

O corredor faz eco. Só se ouvem os passos e o tilintar das chaves.

Usa uniforme. É responsável por fazer a coleta.

Pára em frente à máquina de refrigerantes. Perde um tempo procurando a chave correta.

Encontra. Mete na fenda. Surpresa.

Percebe que várias latinhas foram consumidas.

Mas no lugar do dinheiro, não há nada.

Só uma poça d'água.
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Jornalistas reunidos para a cobertura de um grande evento podem ter idéias fantásticas.

Pena que, algumas vezes, não são grandes sacadas de pauta ou de boas reportagens.

Essa história aconteceu na Alemanha, na Copa do Mundo de 74.

No hotel, perto dos quartos, havia duas máquinas: uma de bebidas e outra de pacotinhos de biscoitos.

Um brasileiro teve a idéia.

Chamou os amigos.

Pegou uma moeda local. Fez um molde perfeito num pedaço de pão, bem consistente.

Encheu o buraco com água e pôs no congelador.

Meia-hora depois, estava pronta:

Moeda de gelo.
.
Réplica perfeita da original.

Não confeccionou uma só não. Fez várias.

- Abre a porta! Deixa eu passar que vai derreter.
- Corre, corre!
.
Pôs a moeda máquina adentro. Pôs outra. Quis uma Coca-cola. E conseguiu!

Estava descoberta a mina de ouro.

O lanche de graça dos brasileiros durou apenas alguns dias.

Ao fim de uma semana, interditaram as máquinas.

Talvez os alemães não tenham desvendado, até hoje, o mistério do sumiço da comida e do surgimento daquela poça.
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Como as pessoas usam a mente pro mal, não é?

Mas eu tiro o chapéu. Foi uma sacada genial.